Majestoso (e pronto) Corinthians

Tite parece estar iniciando mais um grande trabalho à frente do Corinthians. Quando passou fácil, voando, pelo Once Caldas na fase preliminar, muitos usaram o argumento rasteiro de uma suposta fragilidade do time colombiano - o que não existe, pois a equipe de Manizales é das melhores de seu país atualmente. Ontem, ficou claro: o Once deu é azar de pegar um Corinthians que, embora seja fevereiro, já está prontíssimo para brigar pela sua segunda conquista de Libertadores.

Confesso, torci o nariz para a escalação de Danilo como centroavante no lugar do suspenso Guerrero. Só funcionaria como falso 9 em um time entrosadíssimo, por isso a desconfiança. Pois a opção não poderia ter funcionado melhor. Isso porque o Corinthians, aproveitando o entrosamento de 2014 e com ideias arejadas pelo novo treinador, já é um time azeitado, com padrão de jogo invejável, que provavelmente nenhum grande clube brasileiro já tenha na temporada. Bastou 1 minuto de jogo para ficasse claro o acerto da opção de Tite: na área, como centroavante, quem mandou com grande perigo por cima do gol de Rogério Ceni foi Jadson. A confirmação veio aos 13, na linda jogada que resultou no gol de Elias, o centroavante da vez: a trama envolveu Fagner, Danilo e Jadson. Elias concluiu como centroavante, e dos bons. O centroavante da vez.

O Corinthians não teve um meia improvisado como homem de área em Itaquera. Teve um conjunto de jogadores de setor ofensivo, que se comportaram como meias e atacantes quando a necessidade convinha. Um time tão bem armado que tudo fluiu naturalmente. Quando acontece assim, não há necessidade de rotularmos que "fulano hoje foi meia", "beltrano foi improvisado no ataque". Todos fazem parte de um mesmo conjunto, que ataca, cria, marca e volta em bloco. É o segredo da compactação. O primeiro Timão de 2015 lembrou, neste sentido, o primeiro timaço de Tite, o revolucionário Grêmio de 2001.

Para colaborar ainda mais, Muricy escalou mal o São Paulo, que virou um coadjuvante de luxo na supernoite de clássico. O mistério da semana inteira foi para anunciar um erro: Michel Bastos seria o lateral esquerdo no lugar do lesionado Carlinhos. O Tricolor perdeu o meio também por isso: um meia diferenciado virou um ala comum. Com três volantes atrás, Ganso virou presa fácil para a marcação, e os centroavantes (outro erro, escalá-los juntos) foram pouco abastecidos.

A estratégia após o primeiro gol corintiano foi clara: recuar, dar a bola ao São Paulo e matar o jogo no contragolpe. Ele veio, num grotesco erro do péssimo árbitro Ricardo Marques Ribeiro, pois Emerson Sheik cometeu falta em Bruno. Mas a jogada mostra de novo o carrossel corintiano: Sheik marcando a saída de bola tricolor e Jadson aparecendo como atacante de velocidade, e definindo com uma frieza de centroavante, como Elias, dos bons. Um erro do apitador, sem dúvida, mas o placar do jogo reflete bem a melhor partida corintiana em relação ao rival. A diferença de dois gols se explica pelo juiz, mas a vitória corintiana não.

O Corinthians dos vários centroavantes, mesmo ainda sem o melhor centroavante do Brasil à disposição, começa a Libertadores sobrando entre os rivais brasileiros. Ao menos até a estreia do Cruzeiro, na semana que vem.

Começo complicado
O início difícil do Atlético Mineiro era previsto. Sem Pratto, Douglas Santos e Marcos Rocha, a equipe de Levir Culpi perdeu os alas e o substituto de Diego Tardelli para um compromisso complicado diante do forte Colo Colo, em Santiago. O erro de Victor ainda colaborou para a derrota por 2 a 0. A chave é dura, e a partida contra o Atlas, no Horto, precisa ser vencida de qualquer maneira. Lembrando: o Santa Fé já ganhou dos mexicanos fora de casa, e saltaram à frente na disputa por uma vagas às oitavas. Quem vence como visitante obtém vantagem importante quando o grupo é parelho. E este do Galo é dos mais terríveis da Copa 2015.

Atitude
Por mais que tenha piorado seu grupo em relação a 2014, o Grêmio, ainda sem Giuliano, Ramiro e Geromel, tem muito mais qualidade que Brasil e Veranópolis. As derrotas na Arena passavam, sim, muito pela apatia do time (embora não só por ela). Diante do Passo Fundo, a atitude foi retomada: o Tricolor apresentou problemas defensivos, mas mostrou bem mais espírito competitivo e foi premiado com uma boa vitória, em sua atuação mais sólida desde a estreia no Gauchão. A melhor notícia, no entanto, é o menino Pedro Rocha. Embora seja cedo para projeções maiores, atacante que faz gol (coisa que nenhum dos centroavantes atuais do elenco conseguiu em 2015 até agora) precisa ser titular no atual cenário gremista. E ele ainda dá a velocidade que falta a quase todo o resto do time. É um sopro de esperança no mar de frustrações que tem sido o início de ano do Grêmio.

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